Complexo Ferroviário da Calçada
Localização:
Largo da Calçada, Calçada
Período da construção:
1861 (final da construção)
Arquitetos:
Sem informação
Área:
Sem informação
Uso original:
Estação ferroviária
Uso atual:
Estação ferroviária
Proteção:
Nenhuma
Estado de conservação:
Características originais da edificação principal pouco alteradas, com estado de conservação razoável. Os anexos apresentam-se em pior estado, estando a maioria em estado precário ou em arruinamento.

Estação Ferroviária da Calçada. Fonte: Aline de Carvalho (2010)
Descrição da edificação / conjunto:
Implantação: Situada nas proximidades da região portuária de Salvador, “A estação da Calçada, ou estação terminal da Jequitaia, era a mais importante entre todas as que viriam a ser construídas na Bahia” (SAMPAIO, 2005, p.156). Contando com uma visão privilegiada da capital baiana, a estação serve de acesso para o universo do subúrbio ferroviário, estando próxima ao plano inclinado da Calçada que funciona como acesso vertical para o bairro da Liberdade.
Ocupação: O conjunto ferroviário ocupa uma grande área da Península de Itapagipe. Foram construídos dois edifícios separados, um para mercadorias e outro para passageiros. Seu edíficio principal ganha destaque na paisagem do Largo da Calçada por sua arquitetura imponente e seus anexos são observados ao longo da área cujo o conjunto ocupa.
Quantidade de Pavimentos: 1 a 2
Estrutura: Segundo o blog “Trem de Salvador”, a estação ferroviária foi “toda construída originalmente de ferro desde a sua infraestrutura, como as vigas baldrames, até a superestrutura, tais como pilares, vigamento da superestrutura, escadas e estruturas de cobertura”. O gradil que circunda a estação também é em ferro, apoiado em base de pedra.Na reforma ocorrida em 1936 foram feitas alterações na fachada, onde foi introduzida a alvenaria de bloco e a marquise em concreto armado. Desde 2005 a estação (assim como a linha que vai até Paripe) é administrada pela CTS, que já tem projetos para que a estação sofra mais uma reforma.
Cobertura: Originalmente a estrutura da cobertura abobadada foi construída em ferro e montada no local, vencendo um enorme vão interno iluminado por claraboias também de ferro.
Esquadrias: As esquadrias do edifício principal aparentemente são compostas de vidro e metal.
Estilo arquitetônico/elementos decorativos: A edificação é marcada pelo estilo eclético, evidenciado pela proporção e simetria presentes na fachada principal bem como a presença de colunas bem delimitadas e um frontão central contendo alguns ornamentos. Há ainda a presença de um relógio europeu de alta qualidade na fachada da estação que foi colocado em 1863 e marcava a hora oficial, hoje este se encontra parado.
Dados históricos:
A Estação da Calçada foi inaugurada no ano de 1860 – com o nome de Jequitaia – pela Bahia and San Francisco Railway Company, sendo a primeira estação desta linha, inaugurada com o primeiro trecho, que ligava a Calçada até Paripe. Também chamada de Baía. Em 1896 a ferrovia alcançou seu objetivo inicial ao chegar às margens do Rio São Francisco, percorrendo, no total, 572 km, sendo a primeira ferrovia da Bahia e a quarta do país. Sob a administração da Compagnie Chemins de Fer Federaux Du L'est Brésilien (CCFFEB) a Companhia Leste Brasileiro idealizou a expansão desta linha, cogitando conectá-la ao norte e ao sul do país. Porém, com as crises advindas da Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918) a empresa enfrentou diversos problemas estruturais e financeiros que impediram a concretização deste projeto.
No ano de 1925 as tropas baianas que participaram da batalha em Catanduvas-PR regressaram a Salvador de trem, desembarcando na Estação da Calçada, onde foram recepcionadas pelo Governador Goes Calmon.
Sob a administração da Viação Férrea Federal Leste Brasileiro (VFFLB) foram realizadas as obras de duplicação do trecho Calçada - Paripe, iniciadas em 1937, a introdução de locomotivas diesel-elétricas - as três primeiras a operarem no Brasil – em 1938, as obras de construção da ponte São João, na enseada do Cabrito, iniciadas em 1944, e as obras de eletrificação do trecho inicial da ferrovia e das oficinas de Periperi – que posteriormente chegariam a cidade de Alagoinhas – iniciadas em 1948.
A Estação da Calçada se conectava com o porto de Salvador através de um ramal de linha singela – que ainda pode ser visto em alguns trechos – que percorria, inicialmente, uma distância de 3 a 4 km, sem paradas intermediárias. Com a construção do terminal de containers na região do cais do porto, na década de 1970, este prolongamento se reduziu, chegando até este terminal. Apesar disso, nos anos 1980 os trens de minério de magnesita ainda seguiam para o porto, pois a empresa Magnesita tinha um terminal de exportação ao lado do parque de containers, fazendo o trajeto apenas durante as madrugadas, já que este ramal cruzava duas avenidas movimentadas da Cidade Baixa e ainda passava por dentro da Feira de São Joaquim – que invadiu o espaço das ferrovias. Com a construção de um novo terminal no porto de Aratu pela Magnesita este ramal deixou de ser utilizado e foi desativado na segunda metade da década de 1990. Hoje a Estação da Calçada conecta-se apenas às estações do trajeto até Paripe.
Outras informações:
Administrações: 1860 - 1900 Bahia and San Francisco Railway Company. 1900 - 1911 A ferrovia baiana foi arrendada a Argolo&Cia.
1911 - 1934 Compagnie Chemins de Fer Federaux Du L'est Brésilien (CCFFEB). 1934 - 1957 Viação Férrea Federal Leste Brasileiro (VFFLB).
1957 - 1984 Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA).
1984 - 2005 Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).
2005 - Atual Companhia de Transporte de Salvador (CTS). Estação e ferrovia cedidas pela Secretaria do Patrimônio da União - SPU.
Link Google Maps:
Referências:
Blog “A Estação da Calçada”. Disponível em: <http://estacaodacalcada.blogspot.com/>. Acesso em 21 set. 2011.
Blog “Trem de Salvador”. Disponível em: <http://tremdesalvador.blogspot.com/>. Acesso em 21 set. 2011.
LUTHER, Aline de Carvalho. Patrimônio arquitetônico industrial na península de Itapagipe: um estudo para a preservação. 2012. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal da Bahia. Salvador, 2012.
SAMPAIO, Consuelo Novais. 50 anos de urbanização: Salvador da Bahia no século XIX. Rio de Janeiro, Versal, 2005.
Site “Estações Ferroviárias do Brasil”: Disponível em: <http://www.estacoesferroviarias.com.br/>. Acesso em 21 set. 2011.
Data do Preenchimento:
quinta-feira, 8 Julho, 2021
Pesquisador Responsável:
Aline de Carvalho e Marcelo Rodrigues
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Implantação. Fonte: Google Earth (2011).
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Vista do interior e da cobertura. Fonte: Aline de Carvalho (2011)
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Fachada Principal. Fonte: Aline de Carvalho (2012)
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Vista da Plataforma da estação. Fonte: Aline de Carvalho (2011)
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Fachada lateral – acesso pelo Largo da Calçada. Fonte: Aline de Carvalho (2012)
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Fachada lateral – vista da Rua Luiz Régis Pacheco. Fonte: Aline de Carvalho (2012)
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Anexos com acesso pelo Largo da Calçada – Escritório da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA). Fonte: Aline de Carvalho (2012)
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Anexos próximos à linha férrea. Fonte: Aline de Carvalho (2012)